Olá!
Clarice Botelho narra as dificuldades de acesso que sofremos e o quanto isso interfere em nossa vida.
Apreciem e compartilhem essa história.
Obrigada, Clarice!
Exception Gestão do Desenvolvimento
No mês de maio deste ano, sofri um acidente de carro, quebrando meus dois pés. Estou temporariamente impossibilitada de andar, vivendo um período como cadeirante.
Já estou assim por três meses e, neste período, já passei por duas fases: a primeira, onde queria sair muito, como que para provar para mim que uma cadeira de rodas não iria me impedir de viver. Hoje, me encontro na fase de pagar para não sair, já coloquei para amigos e família que até voltar a andar, só sairei de casa para ir ao médico. Mas por quê?
É claro que o estado emocional interfere, e muito. É difícil o momento que estou passando, o tempo não passa, a minha movimentação é limitada e minha dependência é grande. A cada consulta penso que o médico irá autorizar meus primeiros passos e, nada.
Mas, há algo que realmente contribui para este meu “não querer sair”. É esta “acessibilidade”, ou melhor, a falta dela. Hoje ouve-se falar muito em inclusão, direito dos portadores de necessidades especiais, mas o que ocorre de fato nos dias de hoje? Neste período que estou vivendo, no início, como mencionei, procurei sair muito, fui ao cinema, ao teatro, ao shopping e até a um barzinho e cheguei a uma conclusão: não quero voltar a nenhum desses lugares enquanto não voltar a andar.
Na maioria desses lugares, havia acesso aos portadores de necessidades especiais, mas de maneira inadequada. Nos dois cinemas que fui, em um, tive que ficar na rampa, segurando no encosto do banco ao lado, com medo da cadeira deslizar. Em outra sala, havia espaço reservado a cadeirantes, mas na cara da tela; aquele lugar que, ao final do filme, você sai com torcicolo. No shopping que fui, havia uma rampa que simplesmente acabava no nada, não tinha acesso a lugar nenhum. No teatro, tive um acolhimento muito bom, mas o espaço reservado a cadeira não era apropriado. Tivemos dificuldade em me “estacionar”.
Na realidade, há muito o que relatar, mas o que quero apresentar é que, de fato, o portador de necessidades especiais não tem garantido o seu direito de acesso. O que percebi é que nestes espaços, existe uma preocupação muito grande em se cumprir a lei que exige a garantia desse acesso, mas não há uma preocupação com a qualidade do mesmo. Fica claro, que a preocupação é com a fiscalização e não com o ser humano que necessita desse acesso.
Creio que já avançamos muito, mas não podemos nos acomodar, é necessário agora, lutarmos pela garantia da qualidade desse acesso. Todos nós temos o direito de viver integralmente, podendo aproveitar tudo o que a cidade nos oferece. Está escrito: Acessibilidade, um direito de todos.

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